terça-feira, agosto 15, 2017

No YouTube

Para dizer que não precisamos de uma fé feita de retalhos do YouTube.

segunda-feira, agosto 14, 2017

Perdido no Olimpo - uma (semi) leitura crítica da tradução da Bíblia feita por Frederico Lourenço - Parte I

[Este texto será divido entre esta Segunda-Feira e as próximas duas. A primeira parte, de hoje, é meiguinha, e as outras duas que se seguirão nem tanto. Queriam o quê? Estamos em ano de comemoração luterana, meus caros.]

Na primeira parte deste texto algo longo sobre a tradução da Bíblia que o Frederico Lourenço está a fazer o mais importante é elogiar o seu trabalho. Traduzir a Bíblia é sempre uma tarefa interminável e por isso o valor de alguém que se mete numa empreitada dessas não é nada pequeno. Dos textos que li na imprensa sobre a vida recente do Frederico Lourenço, encontrei um impulso para se dedicar de alma e coração a verter as Escrituras para a nossa língua que me deixou impressionado. Que vida magnífica tem ele: ansioso para ler a Palavra e ampliar o número dos seus leitores.

Como sou um pastor evangélico, bate-me forte este empenho do Frederico Lourenço. Afinal, também eu vivo para ler a Palavra e ampliar o número dos seus leitores. E aparece até um pouco de inveja em mim, porque no seu impacto mediático, é provável que o Frederico Lourenço consiga cumprir a nossa tarefa partilhada de um modo muito superior ao meu. Espero que esta minha inveja possa ser santificada, até porque o importante não é saber quem promove mais a leitura da Bíblia mas que a Bíblia seja lida por muitos.

O Frederico Lourenço começou a tradução pelo Novo Testamento, até porque é um mestre em grego. A primeira colecção a ser publicada pela Quetzal foi o conjunto dos quatro evangelhos, que me foram generosamente oferecidos pelo Francisco José Viegas, o editor. Apesar de ainda não ter comprado o resto do Novo Testamento (que também já saiu), creio que todos os cristãos portugueses deviam adquirir todos os volumes desta tradução. Falando especificamente para a minha família religiosa: evangélicos, consumam esta obra (em progresso) do Frederico Lourenço!

Outra coisa excelente que acontece graças a esta tradução da Bíblia pelo Frederico Lourenço é que somos recordados que o grego é uma língua mais cristã do que o latim. Como assim? Pelo peso da tradição romana, o latim tornou-se provavelmente a língua mais associada ao cristianismo. Ora, não precisamos de rejeitar a importância histórica do latim para, ainda assim, entendermos que se há língua que precisa de ser reconhecida como a do cristianismo é o grego (e, antecedentemente, o hebraico). Ficar mais perto do grego é sempre uma boa notícia.

O facto de o Frederico Lourenço nos aproximar do grego não é coisa pouca. Entre outros aspectos, ajuda-nos a entender que a simplicidade do grego bíblico não deve ser tomada como esteticamente inferior em relação ao grego tido como mais erudito; ajuda-nos a entender que "ler era ler em voz alta" e que "o texto era escrito para ser ouvido"; e ajuda-nos a entender algumas opções de tradução importantes tidas geralmente como território exclusivo dos linguistas (como a dinâmica diferente dos tempos verbais gregos ou a tradução de termos como "amém", "pecado" ou "escândalo"). Frederico Lourenço permite que não-conhecedores conheçam mais e isso é óptimo para uma cultura média nacional onde o domínio da língua continua uma espécie de território inacessível.

Vamos agora à parte além dos elogios? Próxima Segunda-Feira, sintonizem.



quinta-feira, agosto 10, 2017

Este é um vídeo especial

Porque tenho ao meu lado o meu cunhado Nuno falando sobre o seu amor por Jan Huss, enquanto passeamos por Praga.

quarta-feira, agosto 09, 2017

O primeiro disco brasileiro da FlorCaveira

Há uns anos li um texto da revista Época que falava nos novos músicos evangélicos. A verdade é que, do pouco que conheço, nunca gostei muito da música feita por músicos evangélicos brasileiros (e ainda gosto menos da música actualmente feita por músicos evangélicos brasileiros fingindo que não são músicos evangélicos brasileiros). Apesar de eu próprio ser um músico que também é evangélico (ainda que português), a música que geralmente leva o rótulo de "evangélica" destaca-se por um atraso estilístico de vinte anos e más letras. Como os ingleses dizem, não é a minha colher de chá.

Mas esse texto da revista Época falava de um rapaz que tinha conhecido há pouco tempo através da internet. Esse rapaz chamava-se Eduardo Mano e era uma voz agradável que, movida por curiosidade pela editora que criei em 1999 com amigos - a FlorCaveira, tinha passado a ouvir. O interesse do Eduardo por nós, aqui na insignificante Lusitânia, tinha-me feito agora a mim curioso pela música que ele próprio fazia. Foi ocasião de eu voltar a dar uma chance à música evangélica brasileira.

Quando comecei a ouvir o Eduardo Mano cheguei à mesma conclusão que a revista Época estava a chegar: havia alguma coisa diferente nestas canções crentes. Já não lhes conseguia detectar aquele artificialismo demodé típico dos músicos evangélicos que, porque vivem em complexos de inferioridade, estão obcecados por mostrar ao mundo que tocam muito. Não. No caso do Eduardo tudo o que era tocado não servia outra coisa que não aquilo que ele estava a cantar. As canções do Eduardo não eram feitas para impressionar mas para dizer alguma coisa. E começaram a dizer-me muito a mim.

Por outro lado, as canções do Eduardo transpiravam Keith Green, um dos cantores evangélicos da vaga inicial norte-americana que era realmente inspirador. As letras não tinham medo de ser simples, ao mesmo tempo que eram desavergonhadamente cheias de Bíblia. O Eduardo, ao contrário de muitos da sua geração, não se importava de musicar as Escrituras de um modo que facilmente poderia ser acompanhado pelos ouvintes.

Esta simplicidade do Eduardo criou-lhe um problema. O Eduardo era um músico evangélico que não se sentia mal por fazer música cujo objectivo principal era servir o evangelho. Ora, no Brasil a música evangélica pode servir para muitas coisas mas nem sempre serve o evangelho. Por causa disso, o Eduardo era demasiado punk para quem queria ser sofisticado, e demasiado simples para quem queria ser litúrgico. Apesar de o Eduardo chamar a atenção suficiente para chegar à referência duma revista popular do Brasil, o seu caminho musical ficou num lugar só seu.

Uns anos depois, o lugar que durante seis meses se torna do Eduardo e da sua mulher Eline é Portugal. E aqui entro eu. No aeroporto à espera deles (com o Suva). Como a maior parte do tempo dessa estadia foi passada no Porto, só no último mês pudemos passar mais tempo juntos. Deu para o Eduardo tocar na Igreja da Lapa, onde sou pastor (e onde costumamos cantar algumas das suas canções nos serviços de culto) e deu para sonhar gravar alguma coisa. Apesar de ser início de 2016, continuo a ser um produtor musical bem arcaico. O que tinha para prometer ao Eduardo era um minidisc com um microfone estéreo. No fundo, continuava na boa tradição que levou o Rick Rubin a gravar o Johnny Cash em takes directos sem maquilhagem. Combinámos o dia para assim acontecer.

Havia sete canções para gravar, uma delas com a Eline (a minha canção preferida do Eduardo também é com a Eline, a perfeita "Mais Chegado Que Um Irmão"). Começamos a gravar mas a Eline não se sente bem. Temos de interromper. Recompõe-se e lá conseguimos acertar o take certo. Mais tarde saberia que a razão da má-disposição da Eline era a melhor possível: havia uma Sarah dentro dela a oferecer um ritmo novo ao seu ventre. Certamente que esta gravidez  contribuiu para que as canções seguissem com uma urgência parecida com um trabalho de parto.

O certo é que não foram nove meses que tivemos de esperar para ter este disco cá fora. A gestação foi bem maior, estupidamente dependente de um pequeno problema técnico que me impedia de converter as canções da sua forma interna do minidisc para o digital dos computadores. Mas a hora chegou. E, como em qualquer nascimento, a alegria foi grande. Em toda a sua nudez (uma voz e um violão, como dizem os brasileiros) a criança esperneia (como dizem os portugueses). Não nego que o Eduardo, sendo um pouco menos punk do que eu, não resistiu a um filtros sonoros que arredondam o resultado final. Talvez um dia mais tarde este disco possa ser re-editado com o director's cut do produtor, esplendoroso em toda a sua crueza.

Ainda assim, é com muito sentido de privilégio que a FlorCaveira apresenta a sua primeira edição de um artista brasileiro: mencionado pela Época, demasiado barbudo para o infernal estrelato gospel, encharcado na Bíblia - eis Eduardo Mano!


Na tela

Para dizer sai da tela.

quinta-feira, agosto 03, 2017

Num acto de inesperada graça

... levaram-me à casa de Lutero, que prontamente invadi com os meus comentários sempre (demasiado) prontos.

quarta-feira, agosto 02, 2017

O primeiro vídeo do meu canal do YouTube (quem diria que teria o meu próprio canal...)

Como criaturas da palavra, os cristãos não são só chamados a falar mas também a ouvir. Todos. Até os que não crêem.

quinta-feira, julho 27, 2017

O que é que pode tornar o meu vídeo realmente interessante?

Uma voz brasileira, óbvio! Ouçam a Bárbara falar de Portugal, minha gente!

Fui à terra do meu querido Franz

Ainda não deu para entrar no museu. Mas a alegria diante do seu retrato foi tanta que não evitei a selfie.


sexta-feira, julho 21, 2017

A igreja é o lugar

para quem que foi tocado pelo cordeiro Cristo. Olha o vídeo desta semana aqui!

terça-feira, julho 18, 2017

Ouvir

O sermão de Domingo passado, chamado "Levar a igreja a sério é saber que na hora de dar tudo, Jesus não poupou nada", pode ser ouvido aqui.

quinta-feira, julho 13, 2017

Este é o melhor vídeo até agora

Porque estou acompanhado dos dois primeiros bebés que com a Ana Rute fiz para a glória de Deus. Se liga!

quarta-feira, julho 12, 2017

Ouvir

Nem sempre dá para pregar sobre barbudos malucos que salivam como animais. Neste sermão deu.

quinta-feira, julho 06, 2017

Olha o careca a pregar!

Mas não façam pouco porque da última vez que gozaram de um careca na Bíblia a coisa acabou mal.

quarta-feira, julho 05, 2017

Pastores que são Papas

Já noutras ocasiões escrevi sobre a dificuldade que as Igrejas Baptistas têm em Portugal de cumprir a realidade bíblica do pastorado colectivo. Não me entendam mal nesta observação: uma boa parte dos pastores baptistas tem feito neste país um trabalho que chega a ser heróico, no meio de recursos bem escassos. Pensando sobretudo nas décadas anteriores, a minha crítica não serve para ajustar contas com homens que não tiveram a papinha feita como muitos de nós hoje temos. Há dez anos, quando eu e um pequeno grupo demos início à Igreja Baptista de S. Domingos de Benfica, lembro-me bem do que era eu ter de ser pau para toda a obra. Era pastor-faz-tudo e não tinha grande alternativa. Não é acerca disto que falo.

Falo acerca de, independentemente das dificuldades do presente, acreditar que a realidade pastoral deve ser colectiva e trabalhar seriamente para isso. E também insisto porque, na nossa própria experiência, foi esse o caminho que decidimos fazer ainda quando a igreja nem a mim conseguia sustentar totalmente. O que desempatou não foram os recursos da igreja mas a convicção que ela tinha que era necessário sustentar totalmente a família do pastor que presidia, e ter logo ao início um presbitério (naturalmente colectivo). Foi uma decisão dupla tomada quando éramos apenas doze membros e a igreja não tinha mais de 500 euros para me dar mensalmente. A questão não é o que se tem mas o que se quer ter.

O que nos impede então de irmos mais longe? Creio que existe nos pastores baptistas portugueses um síndrome de auto-suficiência pastoral que raia o messianismo. O Mark Bustrum, outro dos pastores da Igreja da Lapa que como o nome indica é norte-americano, disse que quando chegou a Portugal reparou que, se por um lado os evangélicos aqui são muito anti-católicos, por outro em cada Igreja Baptista o pastor funciona como mini-Papa. Tudo na vida da igreja tende a estar centralizado na figura do pastor como se não houvesse acção divina realmente sólida além dele. Somos a favor do sacerdócio universal desde que haja centralização pastoral - não faz sentido. E digo isto como culpado. Ainda há um ano quase tudo passava por mim na Lapa (ouçam o sermão de Domingo passado para perceberem como).

Para isto contribuem muitas razões e só ofereço duas, que são praticamente opostas entre si. A primeira é uma grande necessidade de aprovação pessoal que muitos pastores têm, não se apercebendo que se comportam em função de quererem ser apreciados em todo o centímetro de actividade da igreja. A segunda é um resquício de territorialismo episcopal lusitano à Igreja Católica Romana - cada paróquia, um padre. Haverá muitas mais mas estas parecem-me óbvias.

Estas notas não devem soar como desculpa para a desvalorização da função pastoral - elas servem mesmo para o oposto. A ironia é que o ofício pastoral será tão mais respeitado quanto toda a igreja reconheça que aqueles que o desempenham o fazem segura e liberalmente confiando numa maior horizontalidade das suas funções. Graças a Deus pelos cristãos de outros países que nos ajudam a perceber melhor os erros do nosso.


 

terça-feira, julho 04, 2017

Ouvir

O sermão de Domingo passado, que fala no paradoxal facto de ser necessária a alegria para chorar boas lágrimas, pode ser ouvido aqui.

segunda-feira, julho 03, 2017

Que fixe

estar incluído numa lista destas, ao lado do Fachada, dos Pontos Negros, dos Chibazqui e dos Deolinda!

sexta-feira, junho 16, 2017

O Ódio tem um Lar

[Traduzi este breve mas acutilante texto do Carl Trueman na First Things - leiam aqui (clicar em cima de "aqui") o original em inglês. Não tenho formação em tradução, por isso sejam benevolentes comigo.]

O Ódio tem um Lar - por Carl Trueman

Recentemente participei num painel sobre a natureza civil da sociedade. A determinada altura, perguntaram-me se havia alguma possibilidade de reformular o princípio de prejuízo de Mill para o seu uso na defesa actual da moral tradicional [Nota do tradutor: muito sucintamente o princípio do prejuízo em Stuart Mill é que só em caso de necessidade de impedir um membro de uma sociedade civilizada de prejudicar outros é que legitimamente pode empregar-se a força contra ele]. Tendo em conta a prevalência da linguagem do prejuízo psicológico no discurso ético contemporâneo, a ideia de Mill possui um certo apelo. Isso significa que podemos defender posições morais tradicionais nos termos estabelecidos por Mill?

À superfície, parece uma abordagem auspiciosa para a discussão na praça pública. Uma defesa da moral tradicional que emprega o vocabulário tipicamente usado para defender as categorias de dano e vitimização certamente se mostraria potente. O problema é que esta abordagem é fatalmente defeituosa.

O argumento de Mill funciona quanto o critério para “prejuízo” [ou dano] pode ser entendido em termos de condições externas. A pobreza, a opressão legal, a falta de direitos eleitorais - todas estas são coisas que indiscutivelmente prejudicam aqueles que estão expostos a elas, e podemos compreendê-las por padrões consensuais públicos. O problema hoje, como já notei antes, é que “prejuízo” é cada vez mais compreendido em termos psicológicos. Isso torna-o um conceito vago, susceptível a manipulação e [manipulação essa] cada vez mais política.

A urgência do ódio como um factor em procedimentos judiciais é um bom exemplo deste desenvolvimento. Num mundo onde a vitimização psicológica absolve aqueles que a reclamam para si, o ódio tornou-se um atributo dos piores crimes. Como é óbvio, adicionar “ódio” a “crime” torna os corpos e as propriedades de certas classes de pessoas mais valiosas e importantes do que outras. O bandido que ataca um homem gay porque ele é gay enfrenta uma pena mais dura do que o bandido que ataca uma rapariga ruiva porque ele detesta a cor do cabelo dela. Aos olhos da lei, o homem gay merece mais protecção do que a rapariga ruiva.

A noção de “crimes de ódio” deveria ser uma redundância desnecessária. Quantos assassinos matam as suas vítimas porque na verdade gostam muito delas? O mesmo se aplica a violadores e a ladrões. A relação entre o atacante e a vítima raramente é de afectividade ou indiferença. O desprezo odioso do outro é característico do crime violento. “Ódio” como uma categoria que intensifica a pena por um crime apenas faz sentido num mundo onde as características psicológicas se juntaram aos interesses políticos dos grupos identitários, e foram promovidas por lobbies. Grupos de identidade sexual e minorias raciais têm lobbies. Ruivas, como a maior parte das vítimas de crimes, não. Por isso, azar para as ruivas.

Podíamos tentar defender o argumento de Mill acerca do prejuízo. O problema é que “prejuízo” deixou de ser uma categoria económica ou legal determinada como era no Século XIX. Agora é mais uma matéria de sentimento [feeling], ou de disposição psicológica, em vez de espoliação de propriedade, de dano de um corpo, ou de impedimento de franquia. E é por isso que o discurso livre ficou debaixo de tanta pressão. Um discursos que directamente incita pessoas a magoarem outras não é protegido pela Primeira Emenda. Mas assim que “magoar outros” signifique “fazer os outros sentirem-se mal”, então qualquer afirmação que possa parecer que magoa alguém está sujeita a ser vista, não apenas como incitando alguém a um crime, mas como um próprio crime em si.

De facto, o ódio tem um lar - [esse lar é o de] principal papão na imaginação moral de um mundo escravo do terapêutico, e das noções psicologizadas de prejuizo que servem as causas das políticas identitárias. E enquanto o ódio tiver aí um lar, o argumento de Mill sobre o prejuízo de pouco servirá para aqueles que desejam defender a liberdade de religião ou de expressão. A resposta para a nossa actual tolice não pode ser resolvida pela troca de argumentos. Tem antes de ser tratada trabalhando para mudar o ethos do mundo em que vivemos.

quinta-feira, junho 15, 2017

No vídeo de hoje

o Caleb ajuda a explicar a coragem masculina de ser um homem da palavra.

terça-feira, junho 13, 2017

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A Bíblia é tão importante para ti ao ponto de dar-te o vocabulário para exprimires o pior que sentes?

O sermão de Domingo passado, chamado "O Alfabeto da Angústia", pode ser ouvido aqui.

sexta-feira, junho 09, 2017

O assunto não é leve

e por isso o título não facilita. Duas coisas obrigatórias: homens, sejam homens e confessem o pecado da pornografia às vossas mulheres; e coloquem os vossos olhos em Cristo.

Tough subject: be a man and confess your porn sin to your wife, and put your eyes on Jesus.

quinta-feira, junho 08, 2017

Uma criança que mama

Chega para o ateu mais armado em esperto. Se liga!

sexta-feira, junho 02, 2017

A morte

A Dra. Margarida Neto diz que a morte substituiu o sexo como tabu. Os Piratas de Lisboa atiraram-se ao assunto.

Death took the place of sex as a taboo. The Lisbon Pirates went after it.

quinta-feira, junho 01, 2017

E aí, galera?

Geralmente a nossa ira é sinal que perdemos o controle. Para Deus é o contrário. Vejam o novo vídeo - Brasil e Portugal!

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O sermão de Domingo passado, chamado "Não orar é desprezar o valor que Deus te dá", pode ser ouvido aqui.

sexta-feira, maio 26, 2017

É muito conveniente da nossa parte

que os legalistas geralmente sejam os outros. Mas já nos olhámos ao espelho? O podcast desta semana trata deste assunto.

Generally it's other people who get to be the legalists. What about you?

quinta-feira, maio 25, 2017

Ouvir

Brasil, liga aí a Alice no País das Maravilhas ao profeta Jonas!

quarta-feira, maio 24, 2017

Ouvir

Uma criança que mama é mais convincente a provar que Deus existe e que encheu o mundo de beleza do que os argumentos sofisticados dos ateus.

O sermão de Domingo passado, chamado "A Luta dos Lactentes", pode ser ouvido aqui.

sexta-feira, maio 19, 2017

Os Lisbon Pirates não resistem e falam sobre o Salvador

(Esse mesmo!)

Brasil!

Está ligado!

terça-feira, maio 16, 2017

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O sermão de Domingo passado, chamado "Beijoqueiro para glória de Jesus", pode ser ouvido aqui.

quinta-feira, maio 11, 2017

Os piratas buscam alguma sanidade

Os evangélicos em Portugal gravitam entre o anti-catolicismo primário e o apoio aos peregrinos a caminho de Fátima. O podcast desta semana verifica se ainda nos resta algum juízo na cabeça (e fé no coração).

In Portugal, evangelicals go from anti-catholicism to helping pilgrims on their way to Fatima. This week's podcast looks for some sanity in our heads (and faith in our hearts).

quarta-feira, maio 10, 2017

Ouvir

Na Igreja da Lapa somos cristãos que oram demasiado pouco. Para isso também contribui a imaturidade de só sabermos dizer a Deus aquilo que sentimos - somos escravos da nossa própria espontaneidade (que não nos tem levado longe na nossa vida de oração). Queremos mais do que isto.

O sermão de Domingo passado, chamado "Escravo da Espontaneidade", pode ser ouvido aqui.

terça-feira, maio 09, 2017

Calvino esmaga o crânio de C. S. Lewis mas graças à ressurreição tudo acaba bem

Acabo de ler um capítulo das Institutas sobre a ressurreição que é muito bom. Tendo em conta que ainda ontem lia o C.S. Lewis comentar os Salmos e criticar que a crença na vida eterna servisse de base para a fé, não deixa de ser estimulante chegar ao Calvino e encontrá-lo a assumir de frente essa mesma tese. E, com toda a consideração pelas partes justas da crítica de Lewis, Calvino ganha. Calvino volta a afirmar aquilo que, no fundo, já Paulo tinha dito quando estabelecia que se não há ressurreição, somos os mais miseráveis de todos (1 Coríntios 15:13-17). Por impopular que seja hoje afirmar de um modo tão simples a crença na ressurreição, ela é o terreno firme da nossa esperança.

E aqui aproveito para fazer um à parte, para criticar a crítica de Lewis. Lewis deseja o melhor quando quer fundamentar no desejo pela presença de Deus a base do cristianismo, e assim espantar para longe uma fé que seja essencialmente uma questão de gerir consequências. Lewis quer que o nosso cristianismo seja efectivamente mais o nosso desejo de Deus do que o nosso desprazer pelo Inferno. E creio que esta crítica tem méritos, sem dúvida. O problema é que nesta crítica de Lewis pode crescer uma espécie de vaidade escondida. Como assim?

Se eu vou para o Céu não tanto porque tive medo de ir parar ao Inferno mas sobretudo porque desejei a presença de Deus, até que ponto é que não continuo na lógica retributiva? Afinal, neste esquema posso continuar a merecer o Céu por uma questão de recompensa, recompensa essa que premeia um desejo que internamente sinto - de estar perto de Deus. A questão é que acabamos com outro problema: que salvação existe então para quem não quer estar perto de Deus? Pior ainda: podemos acabar numa lógica mais perversa em que o Céu é o lugar dos que essencialmente são melhores, porque desejam a presença de Deus, e o Inferno é dos que são piores, que não a desejam. C. S. Lewis, ao querer criticar justamente a dureza do coração daqueles que desejam o Céu de uma maneira quase indiferente à presença de Deus, pode redundar numa dureza pior que é separar as pessoas entre aquelas que têm um desejo muito correcto de estarem perto de Deus e as outras. Num certo sentido, continuamos com uma lógica de mérito, em que para o Céu vão os bons e para o Inferno os maus.

Creio que nas Escrituras as coisas podem ser abençoadamente um pouco mais complexas (para serem mais simples no fim). Quando lemos a Bíblia, vemos o Céu e o Inferno como lugares que, de certa maneira, já escolhemos aqui, mas também os encontramos como lugares que não escolhemos aqui. Vou tentar explicar. Acho que não é irrazoável aceitar a ideia de Lewis, de o Inferno ser um lugar em que a porta está trancada por dentro (por quem lá está e lá quer continuar, decididamente longe da presença de Deus). Até porque vários textos bíblicos (como Romanos 1) nos lembram que não há nada pior do que Deus abandonar-nos às coisas que desejamos. Mas também podemos ver o Céu e o Inferno como os lugares que não escolhemos. E é neste segundo sentido que a graça de Deus serve melhor de desempate para ver quem vai para onde.

Uma das coisas realmente escandalosas na mensagem do cristianismo é que ela vai além do “fizeste isto, mereces aquilo”. E o problema é que na ideia de que o Inferno é escolhido aqui, permanecemos essencialmente no terreno do “cá se fazem, lá se pagam”, quase rasando uma versão cristianizada do karma. A questão é que o cristianismo é cristianismo precisamente porque troca as nossas voltas e mete gente ruim no Céu e gente boa no Inferno - novamente nos surpreendemos com o sentido de humor divino. E a graça pode ser graça, um elemento muito mais irrequieto do que os nossos méritos, porque pessoas que nunca desejaram a presença de Deus podem chegar ao ponto de passar a eternidade com ele. E é aqui que quero criticar o meu herói C. S. Lewis.

Eu amo o C. S. Lewis. Na prática, a minha vida é tentar ser como ele. O meu sonho é escrever aquilo que mais próximo chegue das “Screwtape Letters”, o meu ideal de perfeição literária. Mas o Lewis, que facilmente alveja o farisaísmo de tantos cristãos, cai frequentemente noutro. Qual é o farisaísmo do Lewis? O Lewis maneja habilmente os textos bíblicos, com um olho atentíssimo para aquilo que neles é fantástico (e o “Reflections on the Psalms” que estou a ler é extraordinário) mas acaba a confiar demasiado na sua própria cabeça. O grande problema do C. S. Lewis é que lê a Bíblia demasiado a partir da cabeça do C.S. Lewis. E ler a Bíblia a sério é procurar lê-la com a cabeça dela. Certamente que não é fácil. Mas o bom cristão lê a Palavra tentando entendê-la a partir dela mesma, e não a partir dele mesmo.

Vou tentar ilustrar. Neste caso, em que o Lewis critica justamente que se queira ir para o Céu essencialmente por medo do Inferno, paira sempre a ideia de que ele, o bom do Lewis!, é diferente e neste caso deseja a eternidade porque é desinteressado das consequências e unha com carne com Deus. Isto é ainda mais irritante do que querer ir para o Céu por ter medo do Inferno - sim, querer ir para o Céu porque se está apaixonadíssimo por Deus pode ser mais insuportável do que querer ir para lá por medo do Inferno (e daí a minha falta de paciência com místicos). É que, ao menos, a pessoa que quer ir para o Céu por medo do Inferno assume que é pecadora ao ponto de pensar no seu interesse próprio. Já o C. S Lewis pode passar a ideia de que a sua estadia no Céu é completamente justificado tendo em conta o amor desinteressado que sente por Deus. O Lewis é um pecador menos pecador e por isso ir para o Céu é mais justificável. Mas, assim, o Lewis fica longe de uma das coisas mais bonitas do cristianismo que é o Céu poder abrir-se a pecadores tão horríveis que viveram ao ponto de nunca terem desejado Deus. Quando é que o amor de Deus tem de ser mais esticado? Quando ama aqueles que já o amam naturalmente? Não (Jesus disse no sermão do monte que amar assim até os publicanos amavam, o que não é grande espingarda). O amor de Deus tem de ser mais esticado quando tem de ir ao ponto de amar pessoas que são tão ruins que só pensam na sua própria sobrevivência. Ter medo de ir parar ao Inferno torna-se uma excelente razão para ser alcançado pelo perdão de Deus.

Por que me inflamo tanto com estas questões? Por que sou tão obcecado a falar sobre Céu e Inferno? Caramba, é o segundo dia seguido a publicar textos sobre o assunto. Sou obcecado a falar sobre o Céu e o Inferno porque, ao contrário da imagem que a cultura que me cerca projecta acerca de si, eu não sou uma pessoa inclinada para ter bons sentimentos nem para fazer boas acções - eu não sou material de Paraíso. Este que vos escreve, marido de mulher, pai de filhos, pastor de igreja, escritor de livros, músico de discos, projecto de intelectual e revolucionário cultural em progresso, é no seu coração das criaturas mais desprezíveis que podem conhecer. O bem não me está na massa do sangue. Eu não sou o C. S. Lewis, desejante natural da presença de Deus (pelo menos não na maneira como me parece que esse desejo é descrito). O meu cristianismo não é desinteressado, focado fundamentalmente no amor que sinto por Jesus. É verdade que amo Jesus. Mas amo Jesus no meio de sentimentos e acções feias e, se não for a certeza da ressurreição, o bem que vivo nesta vida não chega para salvá-la.

Entendam isto: apesar do amor que já sinto por Jesus (porque o Espírito Santo já está em mim pela fé), esse amor daqui desta vida terrena não chega para me fazer viver para sempre. O que me vai fazer viver para sempre é o facto de Jesus já ter ressuscitado e de, nessa ressurreição dele, me garantir que ficarei a amá-lo para sempre na eternidade. O que me salva não é o amor com que respondo ao amor de Jesus; o que me salva é que, por causa do amor de Jesus, posso amá-lo de volta no poder do amor dele, não do meu. E é aqui que Calvino vê mais longe que o C.S. Lewis (apesar de eles nunca terem tido esta discussão, mas na minha cabeça ela faz sentido). Ou esperamos pela ressurreição que nos leva à vida eterna ou somos as piores pessoas de todas porque estamos satisfeitos nas qualidades que já temos agora. E para mim existem poucas arrogâncias piores do que a auto-satisfação. Reparem no paradoxo: ser um cristão completamente satisfeito aqui pode ser a maneira de ser o mais cagão dos pecadores (perdoem-me o português, mas acho que se justifica). E essa é uma coisa que cada vez me cheira pior, a abundância de cristãos satisfeitos com a sua fé iluminada (sejam católicos progressistas ou evangélicos armados em intelectuais, satisfeitinhos em terem uma fé mais inquieta e curiosa do que os outros, os evangélicos supostamente básicos).

Calvino sabia que que viver neste corpo ainda continua a ser uma prisão, não no sentido em que o corpo é mau em si mas no sentido em que ele impede a nossa união perfeita com Cristo (e por isso a Palavra diz que a nossa vida mais real está escondida em Cristo). Logo, é natural que o cristão seja necessariamente obcecado pelo Céu. O cristão que é obcecado pelo Céu não o é porque se acha melhor que os outros; o cristão que é obcecado pelo Céu é assim porque está farto de tudo o que dentro dele é mau. Hoje os cristãos obcecados pelo Céu recebem muita má imprensa quando, na verdade, são pessoas muito mais humildes do que aqueles que os criticam (que só estão a pensar na boa imprensa que é ser um cristão higienicamente não-obcecado pelo Céu e refastelados no conforto que sentem nesta vida). Por que não encontramos os católicos progressistas e os evangélicos armados em intelectuais a falarem de assuntos tão primitivos como a ressurreição e o Céu? Basicamente, porque se encontram satisfeitos com a popularidade que adquirem graças à sua fé mais esclarecida.

Por outro lado, desejar o Céu também é entender que não é só a nossa vida que convém resgatar, mas todo o Cosmos. Na verdade o Céu é os Novos Céus e a Nova Terra, a Nova Jerusalém. A realidade eterna é a da renovação de todas as coisas espirituais e físicas. Ao contrário do que se costuma dizer, os cristãos que desejam o Céu não o fazem por desprezar este mundo, mas por amarem-no ao ponto de quererem vê-lo em perfeição, completamente restaurado na eternidade.

Calvino sabia que era difícil acreditar na ressurreição do corpo, sendo este assunto um saco de pancada dos filósofos de todos os tempos que, naquele amedrontamento típico da filosofia, escolhiam selectivamente apenas a imortalidade da alma. No entanto, há dois terrenos bem firmes para acreditar nela.

Em primeiro lugar, é firme acreditar na ressurreição pelo facto de Jesus já ter ressuscitado. Os cristãos não acreditam na ressurreição a pensar neles, mas a pensar em Cristo. Cristo prometeu que ia ficar para sempre connosco. Surpresa das surpresas, depois de ter dito isto não é que morreu?! Mas, surpresa ainda maior!, não é que ressuscitou a seguir? Logo, e se partirmos do princípio que um milagre destes pode acontecer (princípio de onde eu parto), a um tipo que me prometeu uma coisa antes de morrer mas que, a seguir, ressuscitou, dou um enorme benefício da dúvida. Ou seja, se Cristo é uma pessoa que chega ao ponto de ser mais competente que a morte, vencendo-a, provavelmente é pessoa para honrar as promessas que faz. Se Cristo ressuscitou, é estúpido não acreditar no que ele disse. E se ele disse que ia ficar para sempre connosco, é porque vai mesmo. A ressurreição é a base da nossa esperança.

Tendo ainda em conta que a Igreja é o corpo de Cristo, no qual ele é a cabeça, não confiar na ressurreição é achar que a Igreja é como aqueles instantes em que o gato do País das Maravilhas ficava só em cabeça, sem corpo. A Igreja não é o Gato do País das Maravilhas, minha gente! E Calvino lembra ainda o detalhe de Jesus, depois de ter ressuscitado, não ter vindo exibir-se a Pilatos ou ao Sinédrio em jeito de “pessoal, engulam lá esta! Olhem para mim vivinho da silva!”. Não. Jesus foi mostrar-se às mulheres primeiro e aos discípulos depois para provar que o ponto mais importante da ressurreição não é o poder (é óbvio que Deus tem poder para ressuscitar, se ele teve o poder para criar o universo a partir do nada), mas o amor aos que lhe pertencem. Em segundo lugar, e é neste lugar do poder de Deus que reside a nossa confiança na ressurreição.

Este foi um texto sinuoso mas saiu-me da alegria de acreditar na ressurreição ainda com mais intensidade do que amo o C.S. Lewis. Clive, não te aborreças. Mas olha que o Calvino ainda via mais longe do que tu.